Defesa diz que Eike está prestando informações à Justiça, mas evita falar em delação

BRASÍLIA — Em depoimento prestado nesta segunda-feria, a defesa do empresário Eike Batista destacou que seu cliente está prestando informações para a Justiça, mas evitou responder se ele está negociando um acordo de colaboração premiada. Eike é testemunha de defesa de Lúcio Bolonha Funaro, apontado como operador do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Os dois são réus num processo que tramita na Justiça Federal de Brasília para apurar desvios no Fundo de Investimentos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI-FGTS), administrado pela Caixa Econômica.

— Na verdade, Eike Batista vem prestando informações com vista ao auxílio da justiça, mas essa informação neste momento não pode ser prestada — disse Fernando Martins, advogado de Eike, após o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, questionar se ele tinha algum acordo de colaboração homologado.

— Nada homologado — frisou o advogado.

Eike prestou depoimento no Rio de Janeiro, por meio de videoconferência, durante 15 minutos. Ele afirmou que já teve encontros com o ex-presidente da Caixa Jorge Hereda. Questionado se conseguiu liberação de recursos do FI-FGTS após conversas com Hereda, sem precisar recorrer à intermediação de Eduardo Cunha, Eike, por orientação do advogado, preferiu não responder. Indagado se conhecia Cunha, o empresário disse:

— Eu lembro de um voo em que estava um executivo do grupo que perguntou se podia dar carona. Ele embarcou no avião, sentou nas poltronas de trás. É o que conheço de Eduardo Cunha — afirmou Eike, concluindo: – Posso ter cumprimentado em algum evento em Brasília. Mas não tenho relação nenhuma, contato telefônico nenhum.

Além de Cunha e Funaro, também são réus o ex-vice-presidente da Caixa Fábio Cleto, o empresário Alexandre Margotto, e o ex-presidente da Câmara e ex-ministro Henrique Alves. Cunha, Funaro e Alves se encontram presos atualmente. Margotto e Cleto firmaram acordos de delação premiada. Questionado se conhecia os dois delatores e Funaro, Eike disse que não. Indagado se já havia se encontrado com Funaro em Nova York ou viajado junto com ele, o empresário respondeu:

— Posso ter esbarrado nele. Mas não o conheço e não me lembro de ter encontrado em Nova York.

Em sua delação, Margotto afirmou que Eike pagou propina para conseguir liberação de recursos do FI-FGTS. Segundo ele, a negociação envolveu Funaro, que era seu sócio, e Cunha. De acordo com Margotto, foi marcado um jantar em Nova York entre Eike e Funaro por meio de Joesley Batista, dono do frigorífico JBS. O delator não sabe se o encontro ocorreu, mas confirmou que houve um acerto. Disse também não se lembrar de quanto foi a propina, mas acredita que não tenha superado 1,5% do valor do contrato.

Fonte: O Globo

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